NOTA DE SUICÍDIO: A CARTA DE UM EX SUICIDA
Carta de um ex suicida

Eu tenho medo de errar. E, ao errar, desapontar o outro.
Tenho medo de ser abandonado pelos meus pais porque nunca fui alguém que podia ser amado.
Tenho medo de ficar sozinho. Que ninguém queira minha companhia.
Tenho medo de ser julgado, de que achem que fiz algo errado.
Eu só quero receber amor de alguém.
Por que preciso receber amor? Por que é tão bom ser amado?
Essa necessidade imperiosa me atormenta. Eu seria mais feliz se não precisasse. Mas continuo sentindo que preciso. Isso me faz humano.
Será que um dia vou ser amado? Pensar nisso me angustia. Talvez a saída fosse morrer logo. Se tudo isso acabasse, não haveria mais sofrimento.
Será que eu quero morrer?
Para falar a verdade, eu tenho medo de morrer. Eu só digo que quero morrer quando estou com medo de algo na vida.
Alguns dizem que sou mimado. Mas mimado por quem se tudo sempre pareceu tão difícil?
Trágico. Isso me desanima.
Posso tentar pensar em coisas boas. Mas tudo que há de bom é tão breve. Você aproveita enquanto pode, porque logo a felicidade vai acabar.
Que merda poder curtir a vida só um pouco...
Mas será que precisamos curtir a vida tanto assim? Às vezes eu me sinto realmente bem.
Mas tudo é tão intenso. Será que não dá para aliviar esse peso que estou sentindo? Eu não consigo. Eu sinto tudo que me acontece.
Estou preso. Preso em meus sentimentos.
Eu quero me curar disso!
Quando sinto que sou amado por alguém, eu me sinto bem. Como posso encontrar o amor?
Já apareceram pessoas que queriam me amar. Mas eu as rejeitei porque elas não eram o tipo de pessoas que eu procurava para ser amado.
Não foi planejado. Eu apenas sentia que não estava certo. Não era o que me faria bem. Eu queria ser amado, mas não exatamente por elas.
A gente só se deixa ser amado por quem a gente acha que nos fará bem. E nos enganamos bastante com isso.
Se eu mudasse, talvez eu pudesse encontrar uma forma de ficar bem. Mas como mudar?
Mudança significa amadurecimento. Se for isso mesmo, a solução então é continuar vivendo, aprendendo, e, de certa forma, esperando...
Até lá vou sentindo. Sentindo isso no meu peito.
Tudo começou com um mal entendido com meus pais. Eu não sabia se eles podiam me amar por quem eu sou. Aparentemente, não. Mas como saber se o outro realmente me ama?
Como saber se sou realmente amado? A gente se engana tantas vezes sobre isso. Não há sequer como mensurar as ações. Nunca se sabe quando alguém faz algo por amor ou por egoísmo.
Nunca sabemos se somos amados ou não pelo motivos que julgamos certos. Que irônico.
A maior expectativa que eu tenho, tudo aquilo que eu precisava saber para ficar bem, é impossível de saber!
Como saber o que é impossível de saber? Não sabemos jamais porra nenhuma.
Então sou incapaz de descobrir se sou feliz ou não. Pois até meus sentimentos se tornam ilusões daquilo que não sei, mas tento adivinhar a todo momento.
Sou amado? Posso ser amado? Será que sou inteligente? Será que sou bonito? Sou uma pessoa legal? Não tem como saber.
Eu não sabia, e mesmo sem saber, eu vim escrevendo até aqui. Até que me sinto bem depois de ter expressado tudo isso. A gente pode fazer as coisas mesmo sem saber. E fazer coisas me faz bem.
Eu quero fazer muita coisa. Eu ainda quero viver.
Enquanto eu estiver fazendo alguma coisa, eu vou ter essa sensação de estar me aventurando. Eu consigo me sentir livre. Só preciso estar me movimentando.
Mas para ser livre é preciso se abandonar. Deixar de querer controlar tudo. Aceitar as coisas como elas são.
Deixe fluir.
Não tema. Vá em direção ao que você deseja. As coisas devem se ajeitar se você deixar fluir, e menos querer controlar tudo a cada passo que der.
Pensar menos para não alimentar tantos pensamentos ruins, e deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Ao seu próprio tempo e modo.
Portanto, eu me solto. Se não gostarem de mim assim, eu ainda continuarei por aí, voando.
WRITTEN BY
Igor Teo
Psychoanalyst. more on www.igorteo.com.br
Tem muita razão 😀😀 mas a morte não resolve nada , temos que lutar
ResponderExcluirAmei a informação
ResponderExcluir